Á G U A S D A C H U V A
A chuva existe.
Cai dos céus entre nós transeuntes.
Bendito os abrigados do merecido aconchego ou os malogrados enxovalhados sem entendimento.
É uma viagem por trejeitos sinuosos, do enlameado ao córrego, da umidade ao exagero rompante, das famílias da sede às do charco.
Trocas necessárias: nutre, lava, embebeda e mata.
Concentra a ação de molhar e faz desta consciência, prioridade.
Altera o cotidiano. Transforma, transmuta. Dá o recado.
Faz-se vitória ou delonga morbidez, de suas águas de maternas ou de "um pular de ponte", na estrada da eternidade.
Mas saber-se que acima das nuvens há o sol, que sempre bilha, mas queima.


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